Agosto: O mês vocacional
Por Fellipe Maschio

           
            A preocupação com as novas vocações sacerdotais e religiosas sempre foi um ponto muito discutido pela Igreja Católica. A falta de padres em algumas regiões e comunidades do Brasil fez com que nos últimos anos as orações e atitudes da Igreja se voltassem para esta delicada questão. Além da preocupação com a nova geração de seminaristas e religiosas, cabe também a Igreja e ao povo Cristão preservar e rezar pelos já ordenados que constantemente sofrem com as questões sociais, como o ataque feito pela mídia e pelas tentações do mundo.
            E para falar sobre este importante tema, nesta edição do Jornal Mensagem o nosso entrevistado é Dom Joaquim Justino Carreira, bispo auxiliar na Região Santana, que apresentará a visão da Igreja e as propostas que estão sendo estruturadas para o mês de agosto, que é o Mês Vocacional e para o Ano Sacerdotal.
 
                   
Conte um pouco sobre sua história pessoal e vocacional: quando e onde nasceu, como surgiu a vocação sacerdotal, como se tornou bispo?

Nasci em Portugal, perto de Fátima, no ano de 1950. Em 1960 minha família, pais e sete filhos vieram para o Brasil, residindo em Jundiaí. Sempre participei da Pastoral da Juventude e ali nasceu a vocação sacerdotal, constatando a necessidade de evangelização e a falta de padres. Fui ordenado padre no dia 19 de março de 1977, com 27 anos, e trabalhei em todos os serviços da Igreja: vigário paroquial, reitor de Seminário Maior (1980-1992), Pároco, Vigário Geral da Diocese de Jundiaí e outros cargos, até que no dia 24 de março de 2005, fui chamado pelo papa João Paulo II, para ser Bispo Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo, sendo ordenado em Jundiaí por Dom Cláudio no dia 21.05.2005, sendo destacado para a Região Santana. Sou feliz na missão e grato a Deus por este chamado e peço todos os dias a sua luz para ser um pastor segundo o coração de Jesus.

Fale sobre o mês vocacional (agosto 2009). Qual a proposta da Igreja?

Há 25 anos, no mês de agosto, nós celebramos o mês vocacional, com orações, reflexões, encontros e outras iniciativas em favor de uma definição vocacional, tendo em vista a conscientização das pessoas para que se definam na vida e procurem formar verdadeiras famílias cristãs, agentes de pastoral qualificados, novas vocações sacerdotais e religiosas em nossas comunidades.
Em 2009 o tema do mês vocacional é: Há esperança no caminho!
O lema é: Ardia nosso coração quando ele nos falava pelo caminho. (Lc 24,32).  Todos são responsáveis pela vida e pela missão da Igreja.

 

O que a Igreja está estruturando para este ano sacerdotal, iniciado em junho agora? Porque o Senhor acha que o Papa Bento XVI resolveu abrir este Ano Sacerdotal?

O Ano Sacerdotal foi aberto para comemorar os 150 anos da morte de São João Maria Vianey, o Santo Cura de Ars. O Papa Bento XVI abriu a Ano Sacerdotal com o objetivo de despertar na Igreja e no clero o ardor missionário e a consciência da profundidade da missão sacerdotal na vida e na missão da Igreja, Povo de Deus, Corpo de Cristo e Sacramento de Salvação. A partir de agora o padroeiro dos padres diocesanos, passa a ser o padroeiro de todos os sacerdotes do mundo. É preciso que os padres e os fiéis conheçam a importância e a necessidade da missão sacerdotal para a vida pessoal e eclesial. Este ano ajudará os padres na sua missão e aprofundará a consciência dos seminaristas para se preparem em vista de um sacerdócio fiel à missão da Igreja e em vista de anunciar uma fé viva e verdadeira à sociedade contemporânea. Neste ano Sacerdotal, cada paróquia e comunidade devem celebrar a memória dos padres e consagrados que nela trabalharam e que nela estão trabalhando. Façamos Horas Santas (o Cura D’Ars passava longas horas diante do Santíssimo) todas as semanas; rezemos pela perseverança e santificação do clero; rezemos intensamente pelas vocações consagradas e de modo especial pelas vocações sacerdotais; trabalhemos com a Pastoral Familiar para que os pais eduquem seus filhos na fé e outras iniciativas Arquidiocesanas e Regionais, que oportunamente serão divulgadas e realizadas.

 

Como está o trabalho da região Santana em relação às vocações?

A Região Santana sempre teve muitas vocações. Hoje temos um padre responsável pela coordenação regional da Pastoral Vocacional que é o Pe. Frank Antonio de Almeida, vigário paroquial de Nossa Senhora dos Prazeres, Setor Tucuruvi. Existe na arquidiocese um intenso trabalho vocacional e acompanhamento para os que desejam fazer seu discernimento. A Igreja precisa de muitos e santos sacerdotes. Jovens não tenham medo de dizer sim ao chamado do Senhor.

 

Poderia explicar qual é a proposta desta Iniciação Cristã, tendo em vista que foi um dos assuntos discutidos na Assembléia dos Bispos do Brasil? O que significa este termo "Iniciação Cristã"? Já existe hoje na Igreja alguma forma desta Iniciação cristã?
 
A iniciação cristã é o processo para que uma pessoa se torne cristã: discípulo e missionário do Reino de Deus. A iniciação cristã leva a pessoa à inserção progressiva no mistério de Cristo e na comunidade eclesial por meio da fé celebrada nos três sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Confirmação (Crisma). Os Bispos refletiram bastante como fazer isso, como preparar os catequistas para que conduzam os fiéis à fé adulta e outras implicações.
A iniciação cristã, originalmente era feita antes do batismo, porque as pessoas que pediam o batismo eram adultas, portanto deveriam preparem-se para serem batizadas. Porém como a maioria dos católicos foram batizados pequenos, sem a consciência da fé, a elas deve ser oferecida a possibilidade de conhecer e viver a fé, fazendo a iniciação após o batismo.
Eu conheço as Comunidades Neo-Catecumenais que fazem essa iniciação, formando comunidades nas paróquias para conduzir as pessoas que desejarem a fazerem a experiência de viver a fé de modo adulto. Porém, é certo que existem muitas formas de catequese que pretendem levar as pessoas a uma iniciação cristã.
 

Dê que forma os Bispos vêem a preparação dos presbíteros, padres e diáconos, assunto também discutido na Assembléia dos Bispos?

A formação dos novos padres é um assunto muito importante para a Igreja e para os bispos e de consequências decisivas na vida da Igreja e no mundo. Na última Assembléia da CNBB foi aprovado um documento de orientações sobre a formação dos padres que expressa a importância do assunto e sugere atitudes concretas para que todos os seminários busquem colocar em práticas as orientações. A formação deve ser um processo permanente de vivência e aprofundamento que nunca tem fim.

Deixe seu recado para a comunidade Santo Antônio do padre Gilberto.

Querido Pe. Gilberto e fiéis da Paróquia de Santo Antonio do Limão,
A Paz esteja convosco!
Que o Senhor da messe fortaleça todos os servidores que existem na Paróquia, dê força e sabedoria aos missionários e agentes de pastoral, desperte e fortaleça os que desejam dedicar-se ao Reino como sacerdotes, como religiosos e como famílias cristãs que eduquem seus filhos na fé. Senhor, que o Rebanho não pereça por falta de pastores.

Grande abraço.