Eis que eu enviarei sobre vós o que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até serdes revestidos da força do Alto. (Lc 24, 48s).
Estamos no Tempo da Páscoa e fomos inseridos na Liturgia da Igreja experimentando de modo muito particular a força da Ação salvadora do nosso Deus pelo Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Páscoa de Cristo se realiza na efusão do Espírito Santo.
Após o Domingo da Páscoa segue-se cinqüenta dias que prolongam o fato da Ressurreição com a Ascensão do Senhor aos Céus e que culmina com a Festa de Pentecostes. Na celebração das missas a liturgia da Palavra nos orienta na percepção dos fatos que se seguem depois da Ressurreição de Cristo, sobretudo nos Atos dos apóstolos e no Evangelho de São João. Assim, conduzidos à luz da Palavra, percebemos a presença do Espírito Santo como um Dom na vida dos discípulos. Aqueles mesmos que estavam com Jesus Cristo e o vira Ressuscitado (cf. Mc 16) e que serão colunas da Igreja fundada sobre Cristo a pedra angular. “Sobre ele somos edificados como pedras vivas e espirituais, para nos tornamos, pelo Espírito Santo, habitação de Deus e formamos um sacerdócio santo” Comentário de São Cirilo de Alexandria, Bispo.
A Festa de Pentecoste tem a sua origem primeira e seu significado no Judaísmo. Assim como tantas outras festas, ela faz parte da cultura religiosa do povo de Israel. Na Sagrada Escritura especificamente alguns textos do Antigo Testamento (cf. Ex 23, 16; 34, 22, Dt 16, 9, Lv 23, 16, Tb 2, 1) apresentam-na como a Festa da Colheita. Portanto, é uma festa Agrícola, os israelitas oferecem a Iahweh as primícias da colheita do trigo. Ela é também conhecida como a Festa das Semanas, pois, celebrava-se durante sete semanas ou cinqüenta dias, depois da Páscoa. Assim origina-se o nome grego Pentecostes. De forma tardia, se incluirá a esta festa, outra, denominada como Festa da Renovação da Aliança.
O último dia da Festa de Pentecostes marca para nós os Cristãos o momento em que a Igreja na pessoa dos discípulos, está reunida num mesmo lugar como uma comunidade de irmãos (At 2, 1), recebe o Dom da promessa que o Pai havia feito por meio de Jesus: “Eis que eu enviarei sobre vós o que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até serdes revestidos da força do Alto”. (Lc 24, 49).
Este fato marca a manifestação pública da Igreja diante da multidão e o começo da difusão do Evangelho com a Pregação. A missão de Cristo e do Espírito Santo realiza-se na Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. (cf. CEC 167, 737).
Cristo antes mesmo de morrer pedirá ao Pai que derrame sobre os discípulos a Força do alto. O Espírito Santo é visto por Jesus como algo querido e necessário; e rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito para que convosco permaneça para sempre o Espírito da Verdade que o mundo não pode acolher, porque não o vê e nem o conhece (Jo 14,16s).
Será através do Espírito que os discípulos serão ensinados (cf. Jo 14, 26) e o tendo recebido, serão enviados em missão por Jesus (cf. Jo 20, 21-23) a todas as nações para que se tornem discípulos e sejam batizadas em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinado-as a por em prática tudo o que ele ordenou (cf. Mt 28, 19-20). Nesta missão foram eles plenamente confirmados no dia de Pentecostes (cf. At 2, 1-26) segundo aquilo que o Senhor havia dito: “Recebereis a virtude do Espírito Santo que descera sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até os extremos da terra” (cf. At 1, 8).
Os primeiros discípulos foram contemplados por serem testemunhas oculares da Ressurreição de Jesus Cristo. Entretanto, muitos outros viriam depois como testemunhas não oculares do acontecimento singular da Ressurreição (cf. 1Co 15, 4-7) aqueles que creram e crerão sem o terem visto (cf. Jo 20, 29). São os discípulos e missionários de Jesus Ressuscitado que o encontram no caminho da vida, através da Palavra e dos Sacramentos e que narram os acontecimentos (cf. Lc 24, 32-35).
Quais acontecimentos? Os prodígios, milagres e sinais que Deus operou por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo, que após ter realizado grandes coisas, foi entregue na mão dos ímpios e que morreu. Mas, Deus o Ressuscitou! (cf. At 2, 22-25). Deus Pai terminando a sua obra que confiou a Jesus Cristo seu Filho Único de revelar na terra o seu Amor aos homens (cf. Jo 17, 4). Enviou o Espírito Santo, a fim de santificar a Igreja para que mediante um mesmo Espírito, todos pudessem ter acesso ao Pai por meio do verbo encarnado (cf. Ef 2, 18) que Sofreu, Morreu, Ressuscitou e subiu aos céus. O Dom de Deus que habita na Igreja e nos corações dos fiéis como num templo (cf. 1Co 3, 16; 6, 19). É ele que leva a Igreja ao conhecimento da verdade, unifica-a na comunhão e no ministério. Dota-a e dirige-a mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos (cf. 1Co 12, 1-11). Pela força do Evangelho Ele rejuvenesce a Igreja, renova-a perpetuamente e leva-a a união consumada com seu Esposo (cf. LG 1, 4).
Peçamos a Deus o Espírito Santo (cf. Lc 11, 13) é ele que nos precede e suscita em nós a fé (cf. At 13, 34). Ele foi nos dado como selo no nosso Batismo, recebemos a natureza de Deus. Porém, esta natureza divina, precisa crescer e se desenvolver na vida de todos nós. Isto se fará quando uma vez inseridos na Videira que é Cristo, permanecemos Nele e produzamos muitos frutos (cf. Jo 15).
Abramos o nosso interior para que o Espírito Santo, que está sempre em ação com o Pai e o Filho, consuma do início ao fim o Projeto de salvação que Deus pensou na nossa história e nos faça como Igreja, Sacramento de Salvação para todo mundo.
Busquemos saciar a nossa alma sedenta de Deus (cf. Sl 63) com a água viva que brota do interior de Jesus. “Aquele que crê em mim, rios de água viva jorrarão do seu interior. Falava do Espírito, que deviam receber os que tivessem fé nele; pois ainda não tinha sido dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7, 38-39).
Experimentos cada vez mais a generosidade do infinito Amor de Deus por todos,
e assim seremos totalmente realizados como cristãos. Afinal, fomos criados por Amor e para o Amor, pois, “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5).
Deus abençoe a todos! |