Papel dos pais no Escotismo e sua formação Religiosa

 

O Escotismo é um movimento educacional de jovens, sem vínculo a partidos políticos, voluntário, que conta com a colaboração de adultos, e valoriza a participação de pessoas de todas as origens sociais, raças e crenças, de acordo com seu Propósito, seus Princípios e o Método Escoteiro concebidos pelo seu fundador Baden-Powell e adotados pela UEB (União dos Escoteiros do Brasil, nossa entidade nacional).

Dentro de um Grupo Escoteiro, no convívio com gente de sua faixa etária, envolvido em jogos e atividades planejadas para satisfazer suas necessidades de sonhar e de realizar seus sonhos, num processo de educação não formal, sob orientação de adultos especialmente capacitados para o papel que desempenham, o jovem é levado, quase sem sentir, a assumir o seu próprio desenvolvimento.

          Contemplando o trabalho efetuado pela família, pela escola e pela igreja, o Grupo Escoteiro vai auxiliar o jovem a moldar àquele traço que é mais significativo em toda sua formação, e marcante para toda a vida: o caráter.

Um Grupo Escoteiro não é uma creche, entendida como tal aquele estabelecimento onde os pais depositam seus filhos em mãos confiáveis de pessoas remuneradas que cuidam das crianças enquanto os pais se desincumbem de outros afazeres.

          Um Grupo Escoteiro não é um centro de recreação onde a criança comparece num turno por semana, quando ela ou a família não tem um “programa” mais atraente. Brinca-se, e muito, em qualquer Grupo Escoteiro, mas a brincadeira está inserida em um contexto educativo onde cada um tem suas responsabilidades que devem ser atendidas a cada vez que o Grupo se reúne.

Um Grupo Escoteiro não é um instrumento de pressão a ser utilizado pelos pais para obter melhoras no desempenho escolar ou no comportamento dos respectivos filhos. A própria prática escoteira – e as noções de responsabilidades e dever dela resultantes – deverá acarretar melhora no desempenho escolar e no modo de proceder, desde que o jovem tenha a oportunidade de praticar o Escotismo de maneira correta.

            A U. E. B respeita e estimula a prática da religião dos seus participantes e Unidades Escoteiras Locais, e incentiva a todos os seus membros a praticar ou buscar uma religião. Incentiva e facilita para que os programas de atividades escoteiras proporcionem a prática das confissões religiosas dos participantes. O homem pouco vale se não acredita em Deus e obedece a suas leis. Por isso todo Escoteiro deve ter uma religião. A religião é uma coisa muito simples. Primeiro: Amar e servir a Deus. Segundo: Amar e servir ao próximo.

Cabe, portanto, aos pais, a partir do momento que se associam ao Grupo Escoteiro o papel de contribuir de todas as maneiras para fornecer aos adultos que trabalham com seus filhos, recursos para que eles possam levar a efeito este trabalho, contribuindo nas campanhas financeiras, organizando-as, preparando passeios de pais e filhos, festividades do Grupo Escoteiro, administrando, pois são estes pais os responsáveis pela existência do Grupo Escoteiro.

Desta forma os pais e responsáveis pelos membros juvenis, como membros contribuintes e maiores interessados em sua educação, devem participar intensamente nas atividades das Seções e Grupos Escoteiros, inclusive como dirigentes, e como eventuais colaboradores, seja como, instrutores de especialidades cuja profissão ou atividade de lazer cubra área de interesse normalmente atraentes para os jovens, como auxiliares de administração, na comissão de pais, na busca de locais para excursões, acampamentos, acantonamento, transportes, em serviços de digitação e confecções de cópias. Estes são alguns dos papéis que cada um dos pais pode desempenhar junto ao grupo.
 
          Espera-se, ainda, que os pais possam, eventualmente, acompanhar uma Seção em acampamentos ou excursão, guarnecer uma cozinha ou colaborar com transporte para atividades externas.
          Os pais desempenham um papel importante no envolvimento dos filhos no escotismo, através do apoio, encorajamento e apoio ao seu desenvolvimento pessoal, portanto, é desejável que os pais possam dedicar algum tempo, durante a semana ou final de semana, para auxiliar e incentivar a prática escoteira e o desenvolvimento de seu filho, colaborando na sua formação escoteira, bem como em sua formação religiosa.
            A presença do casal nas reuniões do Grupo Escoteiro e na Comissão de Pais de Seção a que seu filho estiver vinculado, mais do que uma obrigação regulamentar é um fator primordial para a eficácia do Grupo.

            Um Grupo Escoteiro não precisa de um “super-pai”, ou uma “super-mãe”, que se dispõe a acompanhar qualquer atividade só para poder estar mais perto do seu filho, fazendo por ele aquilo que ele é perfeitamente capaz, e precisa fazer sozinho. Num Grupo Escoteiro o jovem assume sua “autonomia” de forma progressiva, e para isso precisamos da colaboração da família.

            Principalmente, um Grupo Escoteiro não precisa daqueles pais que “não têm tempo”. Infelizmente, alguns pais estão de tal modo preocupados com a construção daquilo que eles acreditam ser um futuro melhor para seus filhos que acabam privados de tempo para com eles se ocupar.
            Não existe Grupo Escoteiro sem pais. A tarefa de educar os filhos compete aos pais. Quando estes procuram um Grupo Escoteiro significa que estão interessados que seus filhos recebam a orientação escoteira, e para tal, se associam ao Grupo Escoteiro a fim de que seus filhos usufruam deste complemento educacional. É necessário que se deixe bem claro esta função de complementação, pois não temos e nem devemos ter a pretensão de substituir através do Escotismo a figura dos pais, os responsáveis pela educação de seus filhos.
É preciso, portanto, que no relacionamento, dos pais com o Grupo Escoteiro, fique claro durante todo o tempo, que seus filhos terão direito a participar das atividades do Grupo enquanto eles, os pais, cumprirem com seus deveres.
Qualquer relaxamento dos pais no cumprimento dos seus deveres para com o Grupo deve ser tratado com firmeza e cortesia, pois é indispensável que eles compreendam que, o que o Escotismo pretende realizar é algo sério, que repercutirá na formação do caráter de seus filhos, como algo duradouro e valioso.
Como forma de educação não formal, o Escotismo só funciona se o processo for acompanhado muito de perto por aqueles que têm, ou devem ter, com a responsabilidade principal de suas vidas, a educação dos seus filhos. Você é o principal responsável e deve ter tempo para tratar da educação de seu filho e não achar que cabe ao Grupo Escoteiro este papel.

Resumindo: É impossível aceitar trabalhar com jovens cujos pais não assumem o papel de responsáveis diretos e constantes pela educação dos próprios filhos.
Fonte:  UEB - POR (Princípios, Organização & Regras) – Regra 039 – Admissão no grupo) e  G.E. – Escoteiro Santos Dumont 20º PR e Livro: Escotismo para Rapazes.
Autor: Osmar Barbetto – Administração Grupo Escoteiro Txukahamãe