JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
“Cristo Reina nos corações dos homens porque, com sua supereminente caridade, sua mansidão e benegnidade, se faz amar pelas almas de maneira que jamais ninguém - entre todos os nascidos – foi, nem será amado como Jesus Cristo.” (Carta Encíclica “Quas Primas” do Papa Pio XI, nº 6).
Chegamos ao final de mais um ano litúrgico e a Igreja reserva o último domingo de cada ciclo litúrgico à solenidade de “Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo”. Esta festa foi instituída por Pio XI, em 11 de dezembro de 1925, através da Encíclica Quas Primas.
Refletindo sobre esta celebração e a figura do Cristo, podemos fazer a seguinte indagação: “que Rei é Jesus?” E , ainda, “que Rei nós pensamos ser Ele?” A idéia que vem à nossa mente quando se fala em Rei ou Reino é a de poder absoluto e intransigente; de pompa e castelos suntuosos; de coroas, tronos e riqueza; de bens abundantes nas mãos de um ou de poucos, e conseqüente injustiça e opressão. Mas, em se tratando de Jesus essa realeza não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: é uma realeza que se concretiza de acordo com uma lógica própria, a lógica de Deus, a lógica do amor e do serviço. A realeza de Jesus não é revelada por coroa e trono de ouro, mas na paixão, cruz e morte. Uma realeza inserida num contexto onde as pessoas O chamavam de Cristo e de Rei em tom de zombaria e tendo como testemunhas qualificadas dois bandidos crucificados com Ele (cf Lc 23, 35-43).
Porém, tudo isso não conseguiu desqualificar a sua autoridade real, pelo contrário as ações práticas da sua vida pública nos faz perceber que a autoridade d’Ele não se encontra na exaltação de Si mesmo, mas na sua submissão aos planos do Pai, que O enviou para propagar o seu Reino neste mundo.
Quando olhamos para a vida de Jesus vemos claramente o tipo de Reino do qual Ele quer que toda a humanidade participe. Mesmo a resposta de Jesus a Pilatos: "O meu reino não é deste mundo. Se meu Reino fosse deste mundo, meus súditos teriam combatido para que não fosse entregue aos judeus” (Jo 18,36), que, de plano, parece nos remeter a um Reino futuro e longínquo, nos informa, ao contrário, que o Reino de Deus não é feito só de eternidade fora deste mundo: ele é feito da encarnação de Deus no tempo, de identificação com o humano que foi criado, sem perder, no entanto, a perspectiva do eterno. Este Reino pode e deve ser construído aqui e agora, com a Igreja na comunhão com Deus e com os irmãos através de Jesus Cristo, e vivido no sempre.
É preciso ter em mente que a realidade do Evangelho mostra-nos que, ao lado da imagem gloriosa de Rei Messias, d’Aquele que, sendo Filho de Deus é Todo Poderoso, encontramos o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas, o Jesus "manso e humilde de coração", o Jesus que na última ceia diz a seus discípulos: "Já não vos chamo servos, mas amigos" (Jo 15,14), o Jesus-Mestre que lava os pés de seus discípulos; o Jesus sobretudo que ao fim se entrega silencioso à morte para salvar-nos. É exatamente deste amor sem limites, deste dom total da vida é que vem a autoridade absoluta de Jesus Cristo, Rei e Pastor do Reino de Deus, que nos tirando das trevas, nos guia e cuida de nosso caminho para a comunhão plena com Deus Amor.
E nós, que pelo batismo participamos também deste múnus real de Cristo, como Ele sejamos humildes, servidores e construtores do Reino de Deus – reino de Amor, da Vida, da Paz e da Justiça. E o único caminho para concretizar este projeto é submetermo-nos a autoridade do Rei Jesus, deixando que Ele reine em nossa inteligência, em nossa vontade e em nosso coração.
“Para Sempre Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo”
Pedro Luiz de Araújo – Coordenador da Pastoral Familiar. |