TODO JOVEM É CAPAZ DE DEUS

   Todo, ou pelo menos a grande maioria dos temas de que se trata dentro da vida eclesial, passa por uma reflexão no âmbito da família, ou se ordena a ela, e, por conseqüência atingem a sociedade como um todo. E esta mesma sociedade que clama por soluções, não percebe que os ideais em que se baseiam como o individualismo, o hedonismo e o consumismo são a causa destes problemas.
   Sem medo de errar, de ser considerado radical, saudosista ou de estar na contramão da evolução social, é possível detectar que na raiz destes ideais está o fenômeno da secularização. Este fenômeno atinge principalmente os jovens, que, na sua maioria, têm uma vida cada vez menos espiritualizada, sem uma clara confissão religiosa, e até mesmo com uma quase exclusão de Deus.
   Dentre outros, basicamente, três fatores contribuem para a secularização da juventude: Os amigos – os jovens buscam identificação no grupo de amigos, e para ser aceito é preciso se igualar - ser diferente não faz amizade; a educação - as escolas, mesmo os colégios religiosos, diminuem ou extinguem os seus conteúdos de cunho religioso; os meios de comunicação – principalmente a televisão e a Internet, oferecem conteúdos prontos que não permitem nenhuma reflexão crítica.      
    Se por um lado o que foi dito pode facilmente ser verificado no nosso dia a dia, de outra parte constata-se também que há um grande número de jovens com uma enorme fome de Deus, muitos procuram saciá-la fora das Igrejas históricas, principalmente da Igreja Católica, talvez por um preconceito baseado nos agressivos e insistentes ataques televisivos das Igrejas neopentecostais e na arrogância fundamentalista de alguns cientistas que acreditam que somente as positivas ciências empíricas são capazes de produzir conhecimento. A partir desta irrefletida rejeição, os jovens partem para a leitura de livros de gurus, acreditam em duendes, fadas e coisas afins, gostam “shows religiosos” e de liturgias com muito movimento, sons e pouca meditação, e tantas outras formas de incipientes misticismos, enfim, de alguma maneira buscam, pela sensação, o contato com o sagrado. 
  Alguns jovens fazem uma verdadeira gincana mística em busca de algo que lhes dê o sentido de suas vidas. Porém, poucos chegam à consciência da experiência de Deus, ao engajamento que traduz a fé em compromisso com a justiça e a caridade – em síntese compromisso com o próximo.
      É inconcebível que as novas gerações sejam privadas de uma vida transcendente, pelos próprios pais que se sentem despreparados e desmotivados para transmitir a seus filhos uma fé religiosa.  Por isso, a Igreja - Povo de Deus e Família em Cristo - há de deslocar-se do templo para o mundo e colocar-se à frente, assumindo como discípulos de Jesus, a missão de propiciar aos jovens a oportunidade de conhecer e fazer a experiência do Deus Criador, Salvador e Santificador, este Deus que sempre esteve com seu povo, no meio do mundo; que entrou, ajudou e ajuda a escrever a sua história; que se fez homem para revelar-se ao homem, para que o homem apreendesse que Deus é o Amor  e que habita no coração do próprio homem.
   Muitos desta nova geração não precisariam recorrer à fuga onírica das drogas e outras formas de alienação e, saberiam que obediência não é sinônimo de submissão e falta de liberdade. A lei seria superada pelo Amor em toda a sua plenitude e o afeto seria componente essencial no relacionamento pais e filhos.
   Se, além do que aprendem nas escolas e com seus pares, os jovens soubessem meditar a presença inefável do Espírito em seus espíritos, tornar-se-iam livres e felizes, como aconselha o Bispo de Roma: [...] jovens... não desperdiceis vossa juventude. Não tenteis fugir dela. Vivei-a intensamente. Consagrando-a aos elevados ideais da fé e da solidariedade humana. (Discurso do Papa Bento XVI aos jovens, no Estádio do Pacaembu-SP em 10/05/2007).

Pedro – Coordenador da Pastoral Familiar