CAMPANHA DA FRATERNIDADE - ECUMÊNICA 2010
Iniciamos a Quaresma e juntamente com ela a Campanha da Fraternidade Ecumênica do Ano de 2010.
A Campanha da Fraternidade segundo a C.N.B.B. (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) quer ser um instrumento Pastoral de grande alcance evangelizador, visando desenvolver o espírito quaresmal de conversão e um aprofundamento da dimensão histórica, chama e faz com que o cristão anuncie o Evangelho com palavras e ações.
O caráter Ecumênico da Campanha da Fraternidade do ano de 2010 tem como objetivo geral, unir Igrejas Cristãs e demais pessoas na busca de uma economia que esteja a serviço da vida, sem descriminar e excluir a ninguém, promovendo assim, uma cultura de fraternidade e paz.
O tema da CF-2010 Ecumênica é “Economia e Vida” e o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24), eles nasceram e foram escolhidos a partir de reflexões das Igrejas-membro do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs). Este Conselho empenha-se em realizar a comunhão entre os cristãos, utilizando-se também da Campanha da Fraternidade.
A realização de uma Campanha da Fraternidade Ecumênica é importantíssima para a Igreja e para o mundo, pois o “Movimento Ecumênico” é um dos grandes desafios da Igreja proposto pelo Concílio Vaticano II, aliás, a reintegração da unidade dos cristãos é um dos principais objetivos do Concílio. Desde a sua origem a Igreja Católica tem a missão de congregar a todos que o Pai escolheu a serem a Imagem de Jesus Cristo (cf. Rm 8, 29; LG 2). Ela, por vários motivos, reconhece-se unida a tantas pessoas que foram batizadas, mas não professam integralmente a fé Católica, ou não mantêm a unidade de comunhão sob o sucessor de Pedro (cf. LG 15). Todos aqueles que nasceram fora da Igreja Católica, portanto, numa Comunidade separada e são instruídos por ela, não são acusados do pecado de separação. Os nossos irmãos separados são acolhidos pela Igreja com reverência e amor (cf. UR 3) .
As Campanhas da Fraternidade ecumênicas de 2000 e 2005 estabeleceram dois pilares fundamentais: a Dignidade Humana e a Solidariedade. A Campanha 2010 levará em conta esses fundamentos, tendo em vista que a transformação de estruturas sociais e econômicas inicia e se desenvolve através de uma mudança profunda de mentalidade e hierarquia de valores nos indivíduos, na sociedade e na política.
A definição dos objetivos da CFE tem uma relação com as críticas levantadas a partir realidade econômica do nosso país, “julgando-a” à luz da Bíblia e das grandes tradições religiosas. Portanto, a mudança profunda de qualquer estrutura se realizará efetivamente, quando o coração do homem é tocado por Deus e abrindo-se ao anuncio do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo se converte (cf. Mc 1, 14-15), pois é do coração do homem que saem todas as maldades (cf. Mt 15, 16-19), mas é também no coração do homem que deve habitar e permanecer o Espírito Santo.
A Igreja chama toda a sociedade a pensar seriamente sobre os males provocados pelo egoísmo dos homens e pela “cultura” do ter, fundada na super valorização dos bens materiais. Pois a nossa vida vale por aquilo que somos e não por aquilo que temos. “Precavei-vos cuidadosamente de qualquer cupidez, pois, mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada por seus bens” (Lc 12, 15; Mt 6, 25-34).
O lema da Campanha da Fraternidade 2010, “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24), exprime o fundamento para realização da verdadeira Justiça. Na Sagrada Escritura os pobres e os marginalizados estão no centro da Justiça de Deus. A Justiça para os cristãos é dar a Deus e ao próximo aquilo que lhe é devido, ou seja, o Amor (1Jo 4, 7-8). Portanto, quem ama a Deus, ame também ao seu irmão (cf. Jo 13, 34), Amor traduzido em ações concretas mediante uma fé autêntica em favor do próximo (cf. Tg 2, 14-17). Deus criou os homens por Amor e para o Amor, portanto, a minha realização está em Deus e Ele mesmo se identifica com o outro, estive faminto e deste-me de comer, estava nu e me deste de vestir (cf. Mt 25, 34-46). São Cipriano de Cartago expressa em uma frase toda a nossa reflexão: “O que pertence a Deus, pertence a todos”.
Peço a Deus que derrame sobre todos nós as suas bênçãos para vivermos com palavras e ações o Reino de Deus que nos foi revelado em Cristo Jesus.
Deus abençoe a todos,
Pe. Gilberto.
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