ANO SACERDOTAL

            O Papa Bento XVI convocou um Ano Sacerdotal, por ocasião do 150º aniversário da morte do Santo Cura de Ars, a quem proclamará como padroeiro de todos os sacerdotes do mundo.
            Apresento-lhes uma pequena parte da biografia deste Santo para compreendermos melhor o motivo da convocação do Ano Sacerdotal. O Santo Cura de Ars recebeu um nome composto quando foi batizado, João (significa: Deus é favorável), Maria (por devoção especial à Mãe de Deus, Nossa Senhora) e o sobrenome de Vianney. São João Maria Vianney é de origem pobre e humilde, nasceu em 1786 perto de Lião, na França nos inícios da Revolução Francesa. Desde criança queria ser padre. Quando jovem tentou entrar na vida consagrada por duas vezes, mas, houve dificuldades: a pobreza e a “pouca” inteligência não lhe permitiram ingressar. Entretanto, seu antigo vigário se comprometeu em prepará-lo e convenceu ao Arcebispo, que São João Maria Vianney possuía as capacidades necessárias para ser ordenado sacerdote. O Arcebispo de Lião o ordenou e lhe confiou o povoado de Ars, como Cura (pároco).
            O seu Ministério foi vivido de maneira intensa, entregue a oração e a penitência, passava horas de joelho diante do Santíssimo Sacramento. A pregação e a catequese eram suas armas. Ele dispensava boa parte do seu tempo no confessionário, às vezes dia e noite. Muitos católicos da França e de toda a Europa, inclusive a côrte dos reinos iam ao povoado de Ars para que pudessem se confessar com São João Maria Vianney porque, “viam Deus em um homem”, diziam os peregrinos. O santo Cura D’Ars morreu em Ars com 73 anos, após viver intensamente a sua vida Cristã e exercer com dignidade o seu Ministério Sacerdotal.    
            Embora estejamos em outra época, a sociedade atual passa pelos mesmos males causados pelo pecado e que brotam do coração do homem. (Mc 6, 20-23). Portanto, a Igreja e a sociedade precisam de pessoas que sejam discípulos e missionários de Jesus Cristo. Homens que vivam realmente a fé cristã e exerçam como Presbítero da Igreja o Sacerdócio Ministerial in Persona Christi (na pessoa de Cristo) como exerceu São João Maria Vianney. 
            O Papa pretende abrir o Ano Sacerdotal com uma celebração de Vésperas, em 19 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de Santificação Sacerdotal com a presença da relíquia do Cura de Ars na Basílica de São Paulo Extra Muros.
            O tema escolhido para o Ano Sacerdotal é o de “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”.
            O objetivo deste ano segundo expressou o próprio Papa é “ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea, bem como a necessidade de potenciar a formação permanente dos sacerdotes ligando-a à dos seminaristas”.
            O Cardeal D. Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Prefeito da Congregação para o Clero, enviou uma carta dirigida a todos os padres e fiéis da Igreja expondo a importância do Ano Sacerdotal. Ele disse em um trecho da carta o seguinte:  “será um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo, as comunidades católicas locais, a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes. A festa na comunidade eclesial constitui uma expressão muito cordial, que exprime e nutre a alegria cristã, uma alegria que brota da certeza de que Deus nos ama e festeja conosco. Será uma oportunidade para desenvolver a comunhão e a amizade dos sacerdotes com a comunidade que lhes foi confiada”.
            A Arquidiocese de São Paulo marcará a abertura do Ano Sacerdotal na manhã do dia 19 de junho na Catedral Nossa Senhora da Assunção na Praça da Sé. Haverá uma grande peregrinação seguida de celebração da Missa com os padres das dioceses da Província Eclesiástica de São Paulo. As Paróquias e suas Comunidades estão convidadas a realizar uma Adoração ao Santíssimo Sacramento no mesmo instante da Celebração da Missa, rezando, pedindo e agradecendo pelos sacerdotes.
         O Cardeal Dom Odilo P. Scherer em entrevista ao Jornal O São Paulo, comentou sobre o valor e a riqueza de celebrar o Ano Sacerdotal, ele diz: “Teremos a ocasião de colocar em evidência a verdadeira e boa imagem do sacerdote, o testemunho de vida de tantos bons padres, que se entregam de corpo e alma à missão da Igreja; também serão incentivadas as vocações sacerdotais e a boa formação dos novos padres e daqueles que já estão no exercício do ministério sacerdotal”.
                        O Ano sacerdotal trará ainda muitos outros benefícios espirituais; os sacerdotes e fiéis que realizarem determinados exercícios de piedade receberão a indulgência plenária.
            O decreto da Penitenciaria Apostólica explica que poderão obter a indulgência plenária os sacerdotes que, “arrependidos de coração”, rezem qualquer dia as Laudes ou Vésperas diante do Santíssimo Sacramento exposto para a adoração pública ou no sacrário e, se ofereçam para celebrar os sacramentos, sobretudo a Confissão, “com espírito generoso e disposto”, conforme o exemplo do Santo Cura D’Arns. A indulgência poderá ser aplicada a outros sacerdotes defuntos como sufrágio, se, em conformidade com as disposições vigentes.
            Por outro lado, todos os cristãos poderão beneficiar de indulgência plenária sempre que, “arrependidos de coração”, participem na Missa e ofereçam pelos sacerdotes da Igreja orações a Jesus Cristo e qualquer boa obra.
Tudo isso complementado com o sacramento da confissão e a oração pelas intenções do Papa “nos dias em que se abra e se conclua o Ano Sacerdotal, no dia do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, nas primeiras Quintas-feiras de cada mês ou em qualquer outro dia estabelecido pelos Ordinários dos lugares para a utilidade dos fiéis”.
            O encerramento será celebrado justamente um ano depois, com um Encontro Mundial Sacerdotal na Praça de São Pedro. 
            Durante o Ano jubilar, será publicado um Diretório para os Confessores e Diretores Espirituais, assim como de uma recopilação de textos do Papa sobre os temas essenciais da vida e da missão sacerdotais na época atual. 
            Peçamos, pois, a Deus todo-poderoso que envie do Céu todas as graças e bênçãos para todos nós e que pela intercessão de São João Maria Vianney, a nossa Igreja enriquecida pelo Espírito Santo possa cumprir sua Missão, sendo Sal, Luz e Fermento, proclamando o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a todas as nações.

Deus abençoe a todos!!!
Pe. Gilberto.